Enquanto escrevo essas linhas, sequer começou a votação do segundo turno, portanto, desconheço o resultado eleitoral para presidente da República. 
O fato é que, independentemente do resultado das eleições, qualquer pessoa, seja de que partido for, seja de que ideologia for, amando ou odiando determinado candidato, poderá compartilhar comigo a certeza de que a mentira foi a grande vedete. 
Notícias falsas ou “fakes”, para não dizer mentiras de extremo mau gosto, reinaram plenas na televisão, no rádio, nos palanques e, em especial, nas redes sociais.
E surgiram os defensores e opositores apaixonados dessas “fakes”, tão cegos pela intolerância, que sequer se preocuparam se as notícias eram falsas, tornando-as verdades absolutas em seus discursos, cientes de que estavam na defesa dos valores mais nobres e mais edificantes da sociedade. 
As ideias se renderam às ideologias; a sobriedade se rendeu às crenças; as verdades relativas se curvaram às verdades absolutas. 
Como não poderia deixar de ser diferente em situações assim, os xingamentos, discursos de ódio, as brigas e as discussões fizeram a festa.
Os candidatos se aproveitaram do eleitor descrente e deitaram e rolaram em suas falsas verdades, em seus discursos inflamados pelo ódio, dissimulando sua real intenção de assumir o poder a qualquer preço, de qualquer jeito. 
Os eleitores – muitos deles – embarcaram na onda de seus candidatos, acreditando talvez que ali estavam defendendo sua honra, seu país, seu futuro, esquecendo-se de que, no meio da confusão, a moral e a ética foram deixadas para trás. 
Alguém que venha a ler esse artigo, poderá pensar: “bem que eu estava certo; meu candidato era o melhor”; esquecendo-se de que as mentiras foram as armas usadas por todos os lados, o que os torna, no mínimo, semelhantes. 
Pelo jeito, o ódio continuará e se disseminará até às próximas eleições, porque o vencedor dificilmente poderá governar em paz, e sem paz não se pode governar bem. 
O caldeirão do ódio será retroalimentado pelos políticos e pelos partidos, os quais continuarão usando os eleitores para suas campanhas de intolerância e desrespeito.
Caberá a nós mudar o estado das coisas, porque a política e os políticos continuarão e serão os mesmos, viciados em suas estruturas mesquinhas e discursos vazios, 
Que sejamos capazes de respeitar as verdades de cada um, sem exigir que as nossas verdades sejam absolutas, pois aprendemos na diferença e com o diferente.

Grecianny Carvalho Cordeiro
Promotora de Justiça

A ELEIÇÃO DA MENTIRA
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