A verdade sempre foi um conceito muito estudado pela filosofia.

Platão e Aristóteles se debruçaram acerca do estudo da verdade em seus riquíssimos trabalhos, por muito tempo influenciando o pensamento ocidental. Outros pensadores passaram a tratar do tema e, ainda hoje, se discute a verdade.

Aqui, não pretendemos discorrer sobre a verdade filosófica, mas tão somente tecer algumas observações sobre sua atual compreensão e absolutização, em especial, em época de eleições.

Como é cediço, de algum tempo para cá, o brasileiro tem polarizado seus pontos de vista, suas atitudes e, com isso, torna-se mais nítida uma frase bastante comum: “nós e eles”. Não importa quem tenha criado ou divulgado tal termo, o fato é que já não sabemos quem somos nós ou quem são eles, o que nos diferencia, o que nos une e o que nos afasta.

A partir do “nós e eles”, vieram os termos pejorativos para designar o outro, aquele que pensa diferente de você e que, por isso mesmo, merece ser adjetivado de forma negativa, ridicularizado, aviltado, insultado.

Ao termo “nós e eles” sucederam o “coxinha e o mortadela”, o nutela e o raiz”, e tantos outros termos para definir o outro, simplesmente porque se passou a difundir a ideia de que, aquele que pensa diferente, está errado, afinal, a verdade está na sua maneira de compreender a vida, o mundo e a realidade.

O certo é sempre você, jamais o outro. O ético é você, jamais o outro.

Você vota em fulano, então você é um retardado, imbecil e limitado, possuidor de mente estreita.

Eu voto em sicrano, portanto, sou inteligente, coerente, ético, preocupado com o bem-estar do país.

Você vota em fulano, então você não entende nada de política, só quer se dar bem e que se dane o restante do povo, só pensa em seus próprios interesses.

Eu voto em sicrano, portanto, sou solidário, uma pessoa de bem que se preocupa com o próximo.

E assim o brasileiro vem se confrontando nas redes sociais, nas mesas de bar, nas reuniões de família, nos espaços públicos e privados.

E assim você continua sendo o único certo, o único dono da verdade, o único detentor da razão, desconhecendo algo elementar: nada é absoluto, tudo é relativo.

A verdade, tal como qualquer outro conceito, é relativo e possui várias faces, porque depende da compreensão de mundo e de vida de cada um; da história pessoal de cada um, fruto de suas experiências, educação, cultura.

Respeitemos a verdade de cada um.

Grecianny Carvalho Cordeiro
Promotora de Justiça

A VERDADE E SUA ÚNICA FACE
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