Cariri Cangaço

Impossível falar de cangaço e não fazer uma associação imediata a Lampião e Maria Bonita, a Corisco e Dadá, ou ao bando comandado pelo Rei do Cangaço, que causava terror no sertão nordestino, no início do século XX.
Do mesmo modo, impensável falar em sertão e não fazer uma referência ao beato Antônio Conselheiro, o líder da icônica Canudos; ou imaginar o Cariri sem a influência do Padre Cícero.
É movido pelo intuito de estudar e resgatar a história do cangaço que foi criado o Cariri Cangaço, um movimento de caráter turístico, cultural, histórico e científico, a reunir diversos pesquisadores e estudiosos dos mais variados assuntos a ele relacionados: coronelismo, messianismo, misticismo, e que está completando 10 anos de existência, fazendo-se presente em diversas cidades do Ceará, Pernambuco, Paraíba, Alagoas, Sergipe e Bahia.
O Cariri Cangaço, ao longo de uma década, realizou conferências, seminários, debates, lançamentos de livros, concursos literários, como forma de procurar compreender, questionar, estudar e pesquisar a temática do cangaço, mantendo-o vivo.
É por meio de seu idealizador e curador do Cariri Cangaço, Manoel Severo Barbosa, que o cangaço vem despertando a atenção e o interesse de inúmeras pessoas para algumas páginas importantes de nossa História, capaz de trazer à lume os traços marcantes de um sentimento de “nordestinidade” que toca não somente o nordestino, mas brasileiros de outras regiões.
A despeito do nome emblemático, o Cariri Cangaço não faz nenhuma apologia ao banditismo ou ao endeusamento dos cangaceiros. Explica Manoel Severo que o verdadeiro sentimento que moveu a realização desse projeto “foi o de proporcionar um ambiente ainda mais propício para o debate e aprofundamento dessa temática que é tão marcante em nossa terra e em nossa gente. O incrível acontece; Lampião e o Cangaço que tanto sofrimento trouxe para o ordeiro povo do sertão, hoje promove o encontro, a união e a harmonia na direção da busca da verdade histórica”.
O objeto de estudo do Cariri Cangaço, ainda tão desconhecido e incompreendido, ocorrido em tempos idos, ainda hoje, influenciou sobremaneira os costumes, os valores, a música, a culinária, as tradições do povo nordestino.
O cangaço é um caldeirão de histórias de amor e de ódio, de fé e de descrença, de vingança e de traição, de heroísmo e de banditismo, que continua a mexer com nosso imaginário, levando-nos a uma época misteriosa em que insistimos em desvendar.
Vida longa ao Cariri Cangaço!

Grecianny Carvalho Cordeiro

Promotora de Justiça

Integrante do Corpo Docente da ESMP

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