IRAGUACY, ÍNDIA DO SERTÃO

            De autoria da escritora Angélica Sampaio, o livro “Iraguacy, índia do sertão” alcança sua terceira edição, num selo comemorativo de 20 anos.

            O romance se passa em época anterior à chegada de Pedro Álvares Cabral ao Brasil, quando inúmeras nações indígenas povoavam a imensidão dessas terras, vivendo da caça e da pesca, adorando seus deuses, praticando seus rituais, valorizando suas tradições, em plena harmonia com a natureza, portanto, desconhecendo a ganância, a luxúria e a violência do povo colonizador que chegaria num futuro próximo, em busca de riquezas.

            Com maestria e sensibilidade, Angélica Sampaio resgata a memória dos indígenas que ocupavam o sertão do Ceará, notadamente o grupo Quixara, em uma narrativa leve e instigante.

            Em um ritual, é revelado ao pajé Magé o local para onde sua tribo deveria se deslocar, pois ali seria a terra em que poderiam viver e prosperar. A partir daí, os índios da tribo Quixara dão início à sua longa e difícil jornada. Por outro lado, o enlace amoroso entre Iraguacy (filha do pajé) e o guerreiro Japê, prometidos um ao outro em casamento, dão um toque especial à trama.

            Em um sonho, Iraguacy, filha do pajé, antevê o triste futuro que lhes é reservado: a ocupação das terras por invasores brancos e a escravização de seu povo, mas esse sonho terá de guardar consigo, para não trazer a desesperança para sua tribo. Diante disso, Iraguacy é levada a tomar uma difícil decisão, marcada por grandes renúncias em prol de seu povo.

            O sonho de Iraguacy, infelizmente, se tornaria realidade, pois os brancos aqui chegaram e, ávidos por explorar as riquezas da terra brasilis, mataram, escravizaram e subjugaram os índios, obrigaram-nos a se converter à sua fé e ao seu Deus único, dizimando várias tribos sem qualquer piedade.

            Nas palavras do prefaciador Expedito Eloísio Ximenes, “o leitor ganha com esta história ficcional, cheia de detalhes e dela pode tirar algumas conclusões sobre o nosso passado, sobre a ocupação do Ceará, sobre o destino dos nativos, sobre sua permanência, sobre sua herança cultural e linguística para o momento atual. Ganha a literatura cearense com uma escritora jovem, imaginativa e competente a produzir mais, revelando a identidade do povo cearense.”

            Iraguacy, índia do sertão é um livro prazeroso de ler e que nos leva a muitas reflexões acerca dos primeiros povos que habitaram o que viria a ser um país de nome Brasil.

            Parabéns à autora pela bela obra!

Grecianny Carvalho Cordeiro

Promotora de Justiça

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