MEMORIAL CASA CAPISTRANO DE ABREU

É inconteste o fato de que o brasileiro não preza muito pela sua História, tampouco se preocupa em mantê-la viva, notadamente, através da preservação de seu patrimônio histórico-cultural.

Fortaleza é um exemplo claro desse desapego à memória, pois vários foram os prédios antigos, de grande valor histórico, demolidos sem qualquer piedade, para dar espaço à construção de um prédio ou um empreendimento qualquer. Poucos edifícios antigos conseguiram sobreviver a essa sanha destruidora, a exemplo do Palácio da Luz e do Instituto Histórico do Ceará.

Mas nem sempre é assim. E nem todos são assim.

O historiador João Capistrano Honório de Abreu, considerado o Príncipe dos Historiadores Brasileiros, patrono da cadeira 15 da Academia Cearense de Letras, nasceu em 23.10.1853, em Columinjuba, Maranguape-CE. Nos idos de 1808, seu avô, João Honório de Abreu, ali construiu uma casa-grande, com senzala e armazém. O último morador teria sido Messias Honório de Abreu, que residiu até 1944, tendo a casa ruído em 1949.

Mais de setenta anos depois, no pandêmico ano de 2019, “Paulo R. Neves Pereira, Pedro João de Abreu, Francisco Ribeiro de Moura, Walter de Borba Veloso, Francisco José Moreira Lopes e Joana Darc da Silva, com o apoio dos 63 acadêmicos e conselheiros beneméritos” da ACLA – Academia de Ciências, Letras e Artes de Columinjuba, criaram um comitê e reconstruíram a “Casa de Capistrano de Abreu e Memorial” (www.jornalexpresso.com de 27.11.2020).

O Memorial foi instalado em 13.08.2020 e exibe uma exposição: “93 anos sem Capistrano”, falecido na data de 13.08.1927, no Rio de Janeiro.

Conforme a cronologia elaborada por Paulo Roberto Neves Pereira, então presidente da ACLA, observa-se que, em 1951, Sebastião de Abreu (irmão de Capistrano) e Raimundo Girão, com o Instituto do Ceará, inauguraram um Obelisco, no local onde a casa fora destruída, para que fosse reedificada.

O Memorial Casa Capistrano de Abreu é fruto de uma ideia antiga que somente foi concretizada muitas décadas depois, graças ao empreendedorismo de um grupo de idealizadores/sonhadores/entusiastas/amantes da História, que luta por manter a nossa memória viva, porque “as obras do amor são as únicas que pagam o sacrifício”, nas palavras do próprio Capistrano de Abreu.

“Que no bicentenário da Independência do Brasil, em 2022, o consagrado historiador nacional tenha sua memória rediviva, notadamente no Ceará” (Paulo R. Neves Pereira).

 

Grecianny Carvalho Cordeiro

Promotora de Justiça

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