POLÍCIA PARA QUEM PRECISA DE POLÍCIA

   Diz a letra da canção “Polícia”, dos Titãs: Dizem que ela existe pra ajudar/ Dizem que ela existe pra proteger/ Eu sei que ela pode te parar/ Eu sei que ela pode te prender/ Polícia para quem precisa/ Polícia para quem precisa de polícia
Polícia para quem precisa/ Polícia para quem precisa de polícia/ Dizem pra você obedecer/ Dizem pra você responder/ Dizem pra você cooperar/ Dizem pra você respeitar/ Polícia para quem precisa/ Polícia para quem precisa de polícia/ Polícia para quem precisa/ Polícia para quem precisa de polícia.

  Infelizmente, no Brasil, mais precisamente no Ceará, estamos vivendo uma denominada “segunda onda” da pandemia provocada pelo coronavírus, na iminência de colapsar o sistema público e privado de saúde.

   Por conta disso, o governo estadual, desde o início da pandemia, tem adotado medidas drásticas e, por isso mesmo, antipáticas, desagradáveis, de caráter restritivo, culminando com o último decreto, que vigora desde o dia 18 a 28 de fevereiro, dentre as quais: fechamento de espaços públicos a partir das 17 horas; suspensão de aulas presenciais; instalação de barreiras sanitárias nos municípios cearenses; redução do horário das atividades econômicas e, por fim, toque de recolher.

     Enquanto a “segunda onda” da covid 19 se espalha e assusta a muitos – pelo menos àqueles que acreditam, a exemplo de muitos -, uma onda de violência se espalha, com aumento dos casos de roubos, furtos, tráfico de drogas, além dos famosos “arrastões”. E a polícia que deveria estar nas ruas, exercendo seu mister de repressão à criminalidade, tem que ser mobilizada para conduzir um cidadão à sua residência, a fim de cumprir um decreto governamental.

 Numa inversão de discurso, a polícia é criticada por ter que se dirigir a um cidadão de bem, determinando que vá para casa, enquanto deveria estar atrás de bandidos; ou por ter que fechar um bar quando deveria estar fechando uma boca de fumo. Assim deveria ser.

 E se o cidadão cooperasse, respeitasse e obedecesse, ele precisaria de polícia?

 E se o cidadão fosse cônscio da importância de seu papel no cumprimento dessas medidas nada agradáveis, contudo necessárias para o atual momento, ele precisaria de polícia?

E se o cidadão entendesse que, enquanto não fizermos a nossa parte, essa pandemia não acabará nunca, ele precisaria de polícia?

Polícia, realmente, é para quem precisa de polícia.

E quem precisa de polícia?

Grecianny Carvalho Cordeiro

Promotora de Justiça

Deixe uma resposta