Vivemos tempos estranhos. Muito estranhos.
E parece que a História pouco foi capaz de nos ensinar.
Recebemos um grande legado de nossos ancestrais. Experiências vividas que muito poderiam nos servir de exemplo. Algumas delas, para que pudéssemos jamais replicar. Outras, para que devêssemos repetir.
Os povos antigos: os hunos, macedônios, persas, vikings, fizeram da necessidade a audácia para a conquista de novas terras, espalhando o medo por onde passavam, destruindo cidades, subjugando os vencidos.
As descobertas marítimas mostraram um novo mundo, rico e imenso a explorar, à custa da escravidão, dos negros e dos povos indígenas, em uma história escrita à base de muita dor, sofrimento e perdas.
Veio a peste na Europa, matando milhares de pessoas, ricos, pobres, nobres ou não. A Inquisição torturou e exterminou tantos outros, tudo a pretexto de impor a crença em uma religião que se pretendia única.
Depois, eclodiu a Primeira Guerra Mundial, com quatro anos sangrentos em batalhas travadas corpo a corpo. Na Segunda Guerra Mundial, as contendas ganharam nova forma, armamentos modernos, tanques, submarinos, bombas, culminando com a destruição fatídica de Hiroshima e Nagasaki.
A Terceira Guerra Mundial não aconteceu, apesar de prenunciada pela Guerra Fria. Pelo menos, ainda não. E nem precisa.
Guerras civis no Oriente Médio. Terrorismo se manifestando em atentados em diversos países. Tantas pessoas inocentes mortas, dentre crianças, homens e mulheres, simplesmente porque alguém resovleu se arvorar no direito de matar indiscriminadamente em nome de uma causa, de uma fé, de um Deus, de interesses econômicos e financeiros.
E nossa cruenta História “civilizatória” continua capaz de produzir líderes ávidos de poder, cegos pela ganância e pela vaidade, não se importando com os efeitos deletérios de suas ações.
Triste constatar que no meio de tanto progresso haja tanto espaço para a fome, a miséria, a expansão da criminalidade, guerras civis, estupros coletivos, decapitações em presídios, corrupção, construção de muros para dividir fronteiras, fomento de intrigas e discórdias para se alçar ao poder…
Pelo jeito, nada aprendemos. A hipocrisia impera. A maldade ganha espaço midiático. A brutalidade se dissemina a olhos vistos.
A verdade é que nunca tiramos os pés da barbárie, apesar dos discursos inflamados, da sutileza dos gestos.
Temos o mundo ao toque de um dedo e ninguém ao lado.
Tempos estranhos.
Grecianny Carvalho Cordeiro
Promotora de Justiça
TEMPOS ESTRANHOS

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