Todos os países sonham em ter uma Amazônia para chamar de sua, uma floresta tropical possuidora de um bioma invejável, com uma fauna e flora fabulosas, o pulmão do mundo capaz de salvar a humanidade do iminente caos.
Só quem não pensa assim é o governo brasileiro.
Quantos países já mandaram estudiosos, cientistas e exploradores para a Amazônia, em missões autorizadas ou ocultas?
O governo federal, atolado em uma crise financeira sem precedentes, com origem na corrupção endêmica de longa data, em que os escândalos sobre má gestão e roubo descarado de administradores públicos pipocam na mídia, quebrando estados, deixando o povo brasileiro cada vez mais empobrecido, por último, resolveu colocar à venda parte da Amazônia.
A Reserva Nacional do Cobre e seus Associados, conhecida por RENCA, uma área de 47 mil metros quadrados, localizada nos estados do Pará e Amapá, foi extinta por meio de um decreto.
A übermodel Gisele Bündchen postou nas redes sociais sua indignação, declarando que o governo estava leiloando a Amazônia para atender aos interesses privados.
O governo federal tentou se justificar, declarando que o RENCA não era o paraíso.
Certamente.
Se o RENCA não é o paraíso, com certeza, a inexistência de uma reserva protegida na região da Amazônia, completamente entregue aos interesses privados, aos empresários e exploradores amigos do poder, ávidos por ouro, será o inferno na terra.
Todo mundo sabe que a Amazônia é terra de ninguém, em que o tráfico de drogas e de armas corre frouxo; em que a extração ilegal de madeira e de minerais é feita de forma absurda, violando áreas de preservação e áreas indígenas, com ou sem o consentimento dos índios e moradores da região.
Isso sempre aconteceu e sempre acontecerá porque envolve muito dinheiro e muita gente poderosa, entretanto, entregar oficialmente um dos maiores patrimônios do país ao particular, é algo absurdo.
O governo federal voltou um pouco atrás e editou outro decreto, autorizando a exploração mineral em áreas que não sejam de conservação da natureza ou de demarcação indígena. A exploração da área será acompanhada por representantes de vários ministérios.
O lobo cuidando do rebanho.
Eis um governo perdido em sua própria incompetência e promiscuidade, em que a troca de favores, a compra e venda de interesses é a moeda de troca.
Salvar o mandato do presidente teve um preço alto.
E salvar a Amazônia não faz parte do plano.
Grecianny Carvalho Cordeiro
Promotora de Justiça

UMA AMAZÔNIA PARA CHAMAR DE SUA

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