PRESENTE DE GREGO?

PRESENTE DE GREGO?
Troia. 1300 a 1200 a.C.
A guerra entre gregos e troianos completava dez anos e ainda se mostrava indefinida.
Os gregos ganhariam a guerra. Todos os oráculos diziam isso, mas o momento não havia chegado. 
Heitor fora morto por Aquiles, que fora morto por Páris, que fora morto por Filoctetes.
Ulisses teve a ideia de construir um gigantesco cavalo de madeira a ser deixado nas portas da cidade como um presente dos gregos aos troianos. Em seu interior, estariam os mais bravos guerreiros, prontos para invadir e destruir Troia, ao menor descuido dos troianos, que comemorariam equivocadamente o fim da guerra.
O último obstáculo à conquista de Troia seria o roubo do Paládio, uma estátua da deusa Atena dada de presente aos troianos. Enquanto ali estivesse, os troianos estariam protegidos.

O Paládio fora roubado pelos gregos. 
E o último segredo a impedir a vitória grega fora revelado e violado.
O fim estava próximo.
Somente a princesa Cassandra, que possuía o dom da profecia, sabia o que aconteceria, mas ninguém acreditava nela. E nem queria acreditar.
Brasil 2017.
O fim do maior e mais bem organizado esquema criminoso de corrupção estava prestes a ser desvendado.
Os últimos obstáculos estavam sendo rompidos, de forma lenta e gradual. 
As delações esclarecedoras dos maiores envolvidos no esquema empresários-empreiteiras-agentes públicos-políticos foram feitas, embora mantidas sob sigilo.
Mas o povo não queria segredos envolvendo corruptos e corruptores que espoliaram o país por anos a fio.
O povo queria os nomes, as caras, as falas…
O povo não queria mais mistérios a preservar grandes e poderosos criminosos, queria a mesma divulgação e exibição midiática feita aos ladrões de menos influência e poderio, o mesmo tratamento dado aos milhares de presos enjaulados nas miseráveis prisões brasileiras.
O povo queria simplesmente a verdade, nua e crua.
A revelação do maior esquema de corrupção do país seria o fim de muitos, mas seria o começo de uma nova era.
O destino estava prestes a se cumprir, era inevitável.
Os alicerces de uma República apodrecida pela corrupção seriam destruídos.
E, para o povo, o gigantesco cavalo em forma de delação premiada não seria um presente de grego.
Que entre o cavalo de Troia no país e de seu interior possa sair toda a verdade, não poupando nenhum corrupto, nenhum fora da lei.
Que a Justiça seja para todos.
Então poderemos renovar a esperança em dias melhores.

Porque o que vem é perfeição.
Grecianny Carvalho Cordeiro
Promotora de Justiça

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