DIA DA MULHER

Alguns comentam: “Por que a mulher precisa de um Dia Internacional da Mulher?” “Elas não querem direitos iguais?”. Outros gracejam: “O Dia do Homem é primeiro de novembro, o Dia de Todos os Santos”.
Então visualizamos a notícia veiculada no site da g1.globo.com do dia 05.03.2020: “Mesmo com queda recorde de mortes de mulheres, Brasil tem alta no número de feminicídios em 2019. São 3.739 homicídios dolosos de mulheres no ano passado, uma queda de 14,1% em relação a 2018. Apesar disso, houve um aumento de 7,3% nos casos de feminicídios – crimes de ódio motivados pela condição de gênero”.
Talvez, essa notícia explique o motivo pelo qual ainda precisamos de um Dia Internacional da Mulher, pois, se não houvesse tanto feminicídio, tanta discriminação em razão do gênero, tantos casos de abuso sexual no trabalho, tantos casos de violência doméstica; com certeza, não seria necessário manter no calendário mundial uma data tão emblemática.
Que chegue o dia em que não precisemos comemorar o Dia Internacional da Mulher.
Que chegue o dia em que as covardes agressões de homens contra as mulheres, em especial, as esposas e companheiras ou ex, deixem de ser uma coisa corriqueira, transformando-se em um caso raro e isolado.
Que chegue o dia em as diferenças das condições de trabalho e remuneração entre homens e mulheres sejam definitivamente abolidas.
Que chegue o dia em que não seja necessária nenhuma legislação para garantir direitos à mulher para situações de violência física, mental, moral e psicológica, porque cada homem terá plena consciência de que uma mulher deve ser tratada com dignidade e carinho.
Que chegue o dia em que a mulher deixe de se depreciar, sob os mais variados aspectos, passe a se valorizar e, assim, continue conquistando seu almejado lugar ao sol; afinal, nada cai do céu.
Mas enquanto não chega esse dia, continuemos nessa luta constante pelo efetivo respeito e reconhecimento de direitos às mulheres.
Vamos manter as comemorações pelo Dia Internacional da Mulher; e como já escrevi noutro artigo e volto a repetir, pois quase nada mudou e nunca é demais reforçar: “porque o homem tem todos os dias do ano para chamar de seu. A mulher, por sua vez, tem o “privilégio” de ter um dia específico para si porque precisa lembrar que deve viver lutando para que seus direitos sejam assegurados, para que sua vontade seja respeitada, para que suas decisões sejam aceitas”.

Grecianny Carvalho Cordeiro
Promotora de Justiça

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