DOIS ÍNDIOS, DOIS PRIMOS, DOIS DESTINOS

​Rememoremos dois índios que tiveram papel significativo no período em que os portugueses travavam uma luta ferrenha com os holandeses; aqueles, na tentativa de recuperar as capitanias perdidas do Nordeste brasileiro.
​Filipe Camarão se apresentou como voluntário a Matias de Albuquerque, então Governador Geral do Brasil, para lutar ao lado dos portugueses. Em razão de sua bravura, se destacando em várias batalhas, receberia os títulos: “Capitão-Mor dos Índios”, “Dom”, “Cavaleiro da Ordem de Cristo” e “Fidalgo”.
​Filipe Camarão teve o devido reconhecimento. A 7ª Brigada de Infantaria Motorizada no Exército Brasileiro leva seu nome, além disso, encontra-se inscrito no Livro de Heróis da Pátria (Lei Federal 12.701/2012).
​Seu primo, Pedro Poty, convertido ao calvinismo, lutou ao lados dos holandeses e, igualmente, se destacou como líder e grande combatente, sendo nomeado Regedor da Paraíba, em 1645. Integrava a Companhia das Índias Ocidentais. Em 1649, durante a segunda batalha do Guararapes, foi feito prisioneiro pelos portugueses, sendo torturado até a morte a bordo de um navio que o levaria a Portugal.
​Pedro Poty pode ser considerado herói, se lutava ao lado dos holandeses?
​Ambos tinham uma causa, a ela se dedicaram e morreram por ela. Enquanto um defendia os portugueses, o outro defendia os holandeses, povos munidos por um único desejo: explorar o Brasil.
​A diferença entre ambos é que Filipe Camarão lutou ao lado daqueles que seriam os vitoriosos, os que contam a História.

Grecianny Carvalho Cordeiro
Promotora de Justiça

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