Maria Bonita

“Maria Bonita, sexo, violência e mulheres no cangaço” é um excelente livro da autora paulista Adriana Negreiros, que aborda a vida no cangaço sob um enfoque diferente daquele que costumamos ler: a perspectiva das mulheres.

A autora, como não poderia deixar de ser, dá uma atenção especial a Maria Gomes de Oliveira, conhecida como Maria de Déa, que viria a ser a companheira de Lampião e, por isso, a Rainha do Cangaço. Seria somente após a sua morte, em 28 de julho de 1938, aos 28 anos de idade, que Maria de Déa entraria para a História como Maria Bonita.
Maria Bonita nasceu em Malhada da Caiçara, no município de Paulo Afonso- BA, em 17.01.1910. Casou aos 15 anos de idade com um primo, Zé de Neném, mas o casamento era desarmonioso.
Na época, Lampião já inspirava temor, respeito e fascínio no sertão nordestino, então, em 1929, tomada de paixão pelo Rei do Cangaço, Maria de Déa largou o marido e foi viver com Lampião.
Adriana Negreiros relata as diversas atividades e histórias de Lampião e de seu bando, dos coiteiros, das forças repressoras, denominadas “macacos” pelos cangaceiros; suas investidas violentas em busca de arrecadar dinheiro e armas; seu encontro com o Padre Cícero, que lhe conferiu a patente de Capitão do Exército; a vaidade do Rei do Cangaço, conhecido no Brasil e no mundo, posteriormente, sendo registrado o seu cotidiano pelas lentes do fotógrafo sírio-libanês Benjamin Abrahão.
A história do cangaço é uma temática que desperta grandes paixões em muitos estudiosos e leitores, porém, o presente livro se caracteriza por tratar do tema com isenção, desnudando esse fenômeno em suas diversas nuances, mostrando o quando a vida poderia ser dura e cruel para as meninas/mulheres que despertassem o interesse dos cangaceiros.
Maria Bonita, diferentemente das demais mulheres que ingressaram no cangaço, o fez por vontade própria, por escolha própria, por paixão a um homem a quem resolveu seguir e que seria seu companheiro por toda a vida. Ela foi a primeira mulher a fazer parte do grupo de cangaceiros. Depois, vieram Dadá, Inacinha, Maria Jovina, Joana Gomes, Adilia, Sila, dentre tantas outras, e não necessariamente nessa ordem.
O Rei do Cangaço, violento, temido, frio, era paciente e calmo diante dos acessos de ciúmes de Maria Bonita, que não eram poucos. Quando Lampião decidia eliminar alguém, somente ela era capaz de dissuadi–lo.
“Quando Maria Gomes de Oliveira morreu, nasceu Maria Bonita”.

Grecianny Carvalho Cordeiro
Promotora de Justiça

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